Município é destacado como modelo de gestão ambiental, destinação correta e segura dos resíduos urbanos
Mais do que apenas ser o primeiro município do país a reaproveitar resíduo urbano na fabricação de cimento, Cantagalo ganhou destaque nacional através do Globo Ecologia, um programa da Fundação Roberto Marinho e Rede Globo, pela maneira ambientalmente correta e eficaz de dar destinação final ao seu lixo.
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| Secretários Gustavo Bard (C) e Chico Ismério (D) acompanharam a reportagem do Globo Ecologia (Foto: Gilmar Marques) |
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Uma equipe do programa esteve na cidade para conhecer a usina de reciclagem e compostagem de lixo administrada pela prefeitura e que conseguiu, de forma bastante simples e extremamente operacional, resolver o problema que atualmente é a maior dor de cabeça da maioria dos municípios no mundo. No local, a equipe foi recepcionada pela diretora de Comunicação da Utilix, empresa responsável pelo trabalho de gestão da usina, Francieli Wermelinger.
Acompanharam a reportagem os secretários municipais de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Chico Ismério, e de Defesa Civil e Trânsito, Gustavo Bard, que esteve acumulando a Secretaria de Meio Ambiente por vários meses.
Após a coleta domiciliar de 100% do lixo do município, o que inclui os seus cinco distritos, começa o trabalho da usina, que é o de separar e qualificar cada item que chega nos caminhões. O que não serve para a reciclagem é dividido em duas partes: os rejeitos e os orgânicos. O lixo orgânico sofre um processo de fermentação e, em cerca de 90 dias, se transforma em adubo, que é distribuído gratuitamente às fazendas e pequenos produtores rurais. Nesse processo, os gases tóxicos são totalmente eliminados, não mais oferecendo riscos ao meio ambiente.
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| Usina de Cantagalo, simples mas eficiente, é destacada como modelo de gestão ambiental (Foto: Gilmar Marques) |
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Quanto aos rejeitos, uma pequena parte, cerca de 15% do total, recebe tratamento especial e é destinado ao aterro sanitário, já completamente tratado e seguro, não oferecendo nenhum risco de contaminação do solo. O restante, aproximadamente 30 toneladas ao mês, como papel, plástico e pedaços de madeira, que não têm condição de serem reciclados e eram enviados para o aterro, passaram a ser coprocessados nos altos fornos de fabricação de cimento, através de um projeto da prefeitura e da Fábrica de Cimento Mauá (Lafarge).
Este processo, inédito no Brasil, também chamou a atenção e recebeu destaque especial do Globo Ecologia, pois Cantagalo é o primeiro município do país a reaproveitar resíduo urbano na fabricação de cimento e, com isso, passa a reduzir ao máximo o volume do material enviado ao aterro sanitário, que poderá ser desativado nos próximos anos através do projeto Aterro Zero, desenvolvido pela prefeitura e pela Lafarge.
A tecnologia do coprocessamento permite que os resíduos sejam destruídos e ao mesmo tempo substituam parte do combustível e das matérias-primas necessárias para produzir cimento, sem interferir na qualidade do produto. O projeto teve início em agosto de 2007, quando foi realizada a I Feira de Desenvolvimento Sustentável, que contou com a união das três indústrias do polo cimenteiro - Lafarge, Holcim e Votorantim -, além das prefeituras de Cantagalo, Cordeiro e Macuco.
O Globo Ecologia também chamou a atenção para a próxima etapa do projeto de Cantagalo: preparar os demais resíduos que atualmente são depositados em aterro e que não fazem parte do processo de compostagem para que eles também sejam coprocessados, possibilitando assim a Cantagalo reduzir significativamente a geração de passivos ambientais provenientes do lixo urbano, já que o coprocessamento não gera nenhum tipo de resíduo.
Segundo o prefeito Guga de Paula (PP), esse projeto trará uma série de benefícios para a população de Cantagalo e garantirá a proteção do meio ambiente e a qualidade de vida da geração atual e das próximas. "A destinação ecologicamente correta do lixo é um desafio para todas as cidades brasileiras e nós estamos dando um exemplo de que é possível uma cidade se desenvolver sem poluir o meio ambiente", destacou o prefeito, responsável pela criação da Secretaria de Meio Ambiente e implantação da usina de lixo na gestão de seu pai, o ex-prefeito Wilder de Paula, no período de 1997 a 2000.
O gerente de Otimização e Meio Ambiente da fábrica da Lafarge em Cantagalo, Mário Interlenghi, que também foi ouvido pela reportagem, destacou que a empresa já possui experiência no coprocessamento de resíduo urbano em outros países, como Alemanha, Inglaterra e Áustria, e, a partir daí, identificou a oportunidade de desenvolver esse projeto em Cantagalo. "Estamos muito felizes em sermos a primeira indústria de cimento do Brasil a realizar um trabalho como esse e por poder contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos moradores de um município tão importante para nós como Cantagalo", disse.
Todas as medidas para que os resíduos fossem inseridos na fabricação de cimento, atendendo as normas de segurança e sem interferir na qualidade do produto, foram tomadas. Os resíduos foram caracterizados pela Fundação Coordenação de Projetos, Pesquisas e Estudos Tecnológicos (Coppetec), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e o processo foi acompanhado e aprovado pelos órgãos ambientais. Além de evitar a geração de passivos ambientais em aterros sanitários, o projeto contribuirá para a preservação de recursos naturais não renováveis, como o coque de petróleo, que serão substituídos pelos resíduos.